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Emagrecer sem fazer dieta: método Apfeldorfer

Psiquiatra e psicoterapeuta especializada em transtornos da alimentação, o dr. Gérard Apfeldorfer foi denunciado nos últimos trinta anos, a falta de eficácia das dietas de emagrecimento: a maioria das pessoas que faz dieta recupera seu peso e até mesmo engorda mais nos três anos seguintes. Além disso, alguns deles desenvolvem transtornos da alimentação, como compulsões e bulimia, causados por restrições, além de um sentimento de constante ansiedade frente à comida.


Os quatro objetivos do método Apfeldorfer


O método, adaptado a cada um, tem quatro objetivos:



  1. Começar a comer alimentos com base nas sensações que estes produzem: fome, satisfação e saciedade. Quando se inicia uma dieta de emagrecimento pode acontecer que, gradativamente, se percam essas sensações essenciais para a regulação das reservas de energia e, portanto, do peso.

  2. Fazer as pazes com os alimentos problemáticos: os que proíbe, que evitam comprar ou cozinhar, geralmente responsáveis de que a dieta se quebre.

  3. Aprender a lidar com as emoções: stress, frustrações e alegrias podem levar a comer em excesso em busca de apaziguamento.

  4. Melhorar a auto-estima, aprender a aceitar: em nossa sociedade, o excesso de peso não é bem visto. No entanto, algumas pessoas estão programadas para ser rellenitas e, em alguns casos, não é possível estabilizar o baixo peso que se deseja.

O método Apfeldorfer, na prática,


1. Recuperar as sensações de alimentação



  • A estabilidade das reservas de energia (e, portanto, do peso) é finamente regulada por essas sensações.

  • O apetite se traduz por uma leve hipoglicemia, e ocorre quando as calorias da refeição anterior foram gastos. Quando esta aparece, há necessidade de comer.

  • A satisfação é o período em que sentimos que o alimento que estamos comendo, porque não produz prazer. É sinal de que já comemos o suficiente em relação com as nossas necessidades.

  • A saciedade corresponde ao período que sucede a uma refeição e em que já não temos fome. Comer durante esta fase não é desejável.

  • Se aderirmos a estas sensações, ainda comendo, não engordaremos. A razão é que quando se come um prato rico em calorias, como por exemplo um guisado, a fome demora mais para voltar. E vice-versa, se você só come salada, a vontade de comer voltam rapidamente.

As dietas convencionais que impõem menus e quantidades específicos em determinados momentos do dia podem fazer desaparecer este mecanismo de controle, totalmente inconsciente. De fato, quando evitamos comer entre as refeições ou nos impomos fazê-lo a horas fixas deixamos de ter em conta a sensação de fome, o que finalmente acaba por não se sentir. A outra face da medalha é que, assim como não sentimos a fome não sentimos a sensação de saciedade. Assim é que se começa a comer mais do que o necessário e, portanto, engorda.


O doutor Apfeldorfer oferece diversos exercícios para ajudar a recuperar as sensações relacionadas com a comida. Por exemplo, para recuperar a sensação de fome, recomenda-se não tomar o pequeno-almoço vários dias. Também devemos aprender a distinguir a fome da vontade de comer e, por último, recuperar a sensação de saciedade comendo em condições favoráveis: relaxados, sem ocupação simultânea (trabalhar, ler ou ver televisão) e em um ambiente agradável, entre outras.


2. Fazer as pazes com a comidaCuando temos tendência a engordar tentamos eliminar os alimentos mais energéticos, ou calórico: chocolate, bolos, refogados, carnes,… apesar de gerar muito desejo, a sua ingestão é responsável por mais culpa que o prazer e o estresse gerado nos faz comer mais.


Com o fim de romper este círculo vicioso, o doutor Apfeldorfer oferece diversos exercícios que demonstram que estes alimentos não engordam mais do que uma salada se ao comê-las, nós respeitamos as sensações que produzem. Sua proposta é substituir uma típica refeição de dieta por um desses alimentos tabu.


3. Lidar com as emocionesEs muito comum comer, sob a influência das emoções; um jantar com amigos ou um pedaço de chocolate a sós ajudam a restaurar o equilíbrio emocional. O consumo de alimentos com carga emocional positiva aumenta o nível de neurotransmissores do bem-estar e reduz os hormônios do estresse, como o cortisol. Comer ocasionalmente alimentos ricos em calorias, não tem nenhum efeito sobre o peso.
No entanto, muitas pessoas que não sabem lidar com suas emoções acabam, pouco a pouco, incorporando um comportamento alimentar inadequado. O doutor Apfeldorfer se propõe a analisar as emoções gatilho que desbloqueiam a ingestão de alimentos e colocar em prática outras estratégias para geri-los melhor. As diferentes técnicas que podem ser utilizadas são a terapia comportamental, a psicanálise ou terapia de aproximação corporal ou emocional.


4. Melhorar a autoestimaLa falta de confiança em si mesmo pode induzir o desejo de ter um corpo perfeito, com isso as restrições na alimentação se tornam inevitáveis. Estar magro, por outro lado, não é o remédio para se sentir bem consigo mesmo. O doutor Apfeldorfer recomenda uma abordagem psicoterapêutica como os enunciados a anteriormente para poder se reconciliar consigo mesmo.


Eficácia do método Apfeldorfer


Alimentar-se respeitando as sensações alimentares permite emagrecer se você aprende a reconhecer o sinal de saciedade e você deixa de comer quando ela desaparece. Não comer sistematicamente em resposta às emoções também facilita a perda de peso.


O doutor Apfeldorfer também enfatiza a noção do set-point, ou ponto de ajuste, um nível de armazenamento das reservas de gordura, específico de cada um, e que determina o peso equilibrado. Isto quer dizer que estabilizar em um baixo peso não é possível para todos. Em outras palavras, nem todas as pessoas podem pesar de acordo com os padrões de magreza que determina a sociedade e, às vezes, nem mesmo de acordo com as recomendações médicas, como por exemplo manter um índice corporal inferior a 25.


Além disso, o set point pode perturbarse para cima quando há um consumo extra de calorias. Em algumas pessoas as células de gordura continuam a multiplicar-se na idade adulta, causando uma resistência ao emagrecimento e dando o sobrepeso ou a obesidade um caráter de irreversibilidade.


Vantagens e desvantagens do método Apfeldorfer


Este método é particularmente adequado para pessoas que sofrem de transtornos da alimentação, especialmente a ingestão excessiva de alimentos, compulsões incontroláveis ou bulimia.


É também recomendado para todos aqueles que têm uma má relação com a comida: desde que nutrir-se é essencial, também o é o redescobrir o prazer de comer e comer de tudo. As sessões dedicadas à degustação permitem sentir o sabor dos alimentos, perceber se realmente se gostam e discernir a partir de que quantidade tornam-se menos atraentes. Esse é o momento em que, idealmente, deveria deixar de comer.


Este método também elimina as restrições desnecessárias, tais como: “Não se deve comer entre as refeições”, “Não devo omitir refeições”, “Todas as refeições devem ser equilibradas”, “Não devo deixar comida no prato”, e tantas outras.


Finalmente, o método tem o mérito de não prometer metas pouco realistas e explicar por que algumas pessoas são naturalmente mais gordas do que as outras.


As substituições de alimentos propostas em alguns exercícios não são necessariamente compatíveis com os tratamentos dietéticos de certas doenças, como a diabetes, hipercolesterolemia ou a hipertensão. Por exemplo, substituir uma salada verde ou um bolo a fim de internalizar a noção de que a pessoa não engordará pode ter riscos para um diabético. Ou se trata-se de chouriço, o seu alto conteúdo em gordura e sal pode ser prejudicial para alguém que tenha colesterol ou tensão elevados.


Algumas pessoas não conseguem recuperar as sensações alimentares de fome, satisfação e saciedade ou voltam a perder. E outras que conseguem emagrecer graças ao retorno dessas sensações, retornam ao controle de calorias e horários de refeições, com a esperança de descer um pouco mais. Isso anula a recuperada regulação natural da ingestão e aumenta as chances de recuperar os quilos perdidos.


F. (A) Nexa


* Os profissionais da saúde afiliados à GROS comprometem-se a não dar lições moralizantes ou proibições para os pacientes com excesso de peso.

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